Parece que vou ter que enfrentar o luto tudo de novo. Sabe, eu sempre fui viciada em aprovação. Pelo menos na aprovação da minha mãe, que me fazia acreditar que o meu valor estava atrelado necessariamente ao sucesso. Acho que até a visão de sucesso era completamente distorcida. Eu, enquanto pessoa, não valia nada, mas era apenas um meio, uma forma de alcançar algo. Quem eu sou, nunca seria suficiente. Foi aí que eu comecei a fantasiar. A ir longe, até onde a ambição pudesse chegar. Eu sonhava com coisas impossíveis de se realizar, porque agradar minha mãe parecia algo impossível também. Passei a me sentir um fracasso, o tempo todo. Produto da minha própria sabotagem. Mudar as narrativas internas, e mudar um discurso que é o eco de uma mãe narcisista bagunça totalmente a sua cabeça. Eu cresci muito tempo sem identidade. Me medindo pelas críticas e descrições elaboradas pela voz de outra pessoa. Fui sempre diminuída, colocada para baixo, e mais e mais baixo, embaixo de tudo. Eu não ...