Parece que vou ter que enfrentar o luto tudo de novo. Sabe, eu sempre fui viciada em aprovação. Pelo menos na aprovação da minha mãe, que me fazia acreditar que o meu valor estava atrelado necessariamente ao sucesso. Acho que até a visão de sucesso era completamente distorcida. Eu, enquanto pessoa, não valia nada, mas era apenas um meio, uma forma de alcançar algo. Quem eu sou, nunca seria suficiente. Foi aí que eu comecei a fantasiar. A ir longe, até onde a ambição pudesse chegar. Eu sonhava com coisas impossíveis de se realizar, porque agradar minha mãe parecia algo impossível também. Passei a me sentir um fracasso, o tempo todo. Produto da minha própria sabotagem. Mudar as narrativas internas, e mudar um discurso que é o eco de uma mãe narcisista bagunça totalmente a sua cabeça. Eu cresci muito tempo sem identidade. Me medindo pelas críticas e descrições elaboradas pela voz de outra pessoa. Fui sempre diminuída, colocada para baixo, e mais e mais baixo, embaixo de tudo. Eu não ...
Você já teve um medo de falhar que parece ser até maior que o seu sonho? É quase um paradoxo… Falhar te faria tão mal que você parece se contentar com o mais fácil, com o que você conseguiu fazer até agora desviando das suas reais vontades. Porque no fundo, talvez você nem seja bom o bastante… E você vai ganhando idade, e se estabelecendo no plano B que se tornou um plano A. Fica mais difícil quando você se lembra que um dia acreditou que era, ou se tornaria, especial. Que você nasceu para fazer algo grande, daquele jeitinho que você idealizou. Algo que te trouxesse admiração, e se acomodasse na sua vaidade. Até que você esbarra com alguém mais novo que arriscou e tem tudo o que você quis ter. Alguém que não teve medo de se decepcionar, e o pior, nem falhou. Você tenta se agarrar à ideia de que tem um tipo de liberdade por ser uma pessoa qualquer, uma sentimento que você tenta barganhar com seus pensamentos de “pelo menos isso, pelo menos aquilo”, mas no fundo o que você sente é u...