Você já teve um medo de falhar que parece ser até maior que o seu sonho? É quase um paradoxo… Falhar te faria tão mal que você parece se contentar com o mais fácil, com o que você conseguiu fazer até agora desviando das suas reais vontades. Porque no fundo, talvez você nem seja bom o bastante…
E você vai ganhando idade, e se estabelecendo no plano B que se tornou um plano A. Fica mais difícil quando você se lembra que um dia acreditou que era, ou se tornaria, especial. Que você nasceu para fazer algo grande, daquele jeitinho que você idealizou. Algo que te trouxesse admiração, e se acomodasse na sua vaidade. Até que você esbarra com alguém mais novo que arriscou e tem tudo o que você quis ter. Alguém que não teve medo de se decepcionar, e o pior, nem falhou. Você tenta se agarrar à ideia de que tem um tipo de liberdade por ser uma pessoa qualquer, uma sentimento que você tenta barganhar com seus pensamentos de “pelo menos isso, pelo menos aquilo”, mas no fundo o que você sente é uma terrível e amarga inveja, que vem com uma comparação que você tenta esconder em todas as gavetas, bolsos e compartimentos possíveis, porque que tipo de pessoa sente inveja?
E aquele seu “eu” bem sucedido, aquele lá que você foi idealizando desde criança, foi crescendo junto com você, como um fantasma - ou uma maldição - que vem te acompanhando. E às vezes você o enxerga de canto de olho, principalmente nas noites de insônia que você se sente inesperadamente produtivo, ou com uma esperança de ter encontrado a sua epifania, e tem a sensação de que quase seria possível mudar, ser diferente, fugir, reinventar ou remodelar. E esse entusiasmo se esvai tão de repente, assim como veio. Você apenas paralisa. Afinal de contas, você é um completo profissional na arte de paralisar e não realizar.
E se for tudo mentira? Lembra? Aquelas coisas que seus pais e o resto das pessoas em seguida foram falando sobre o quanto você é especial, e tem uma vida toda pela frente, é jovem, bonito e inteligente? E se a verdade mesmo está naquela voz, aquela lá no fundo da sua cabeça, sussurrando com detalhes todas as formas possíveis de não dar nada certo, aquela que engatilha sua ansiedade, e que te repete como você não é capaz de ser nada além de uma fraude. E se essa for a real verdade? Será que você ia querer mesmo saber? Ou só se acostumar a manter a verdade e a mentira suspensas no ar, assim, ao mesmo tempo. Porque e se…? Ah, não sei!
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